Fotografo: Ascom Ceir
...
Manoel Barbosa durante fisioterapia, acompanhado pela filha Elisa Ferraz

Aos 46 anos, a Elisa Ferraz dedica o seu tempo à saúde do pai. Com 75 anos, o Manoel Barbosa já sofreu três derrames cerebrais, quatro infartos e perdeu o movimento parcial das pernas.

Depois de 10 anos percorrendo Centros e Hospitais em busca de tratamento, até fora do Piauí, é no Centro Integrado de Reabilitação (Ceir), localizado na zona Sul de Teresina, que Elisa começa a comemorar as evoluções na saúde do pai.

“Estávamos em Brasília, depois de sairmos de São Paulo, quando indicaram o Ceir como um local de referência para o tratamento do meu pai. Apesar dele ter começado as terapias há apenas seis meses, ele já está tendo melhorias que eu não vi nos últimos anos”, conta Elisa Ferraz.

A cada semana, Elisa e Manoel saem do Ininga, na zona Leste da capital, onde moram, para as terapias do Ceir. “Eu não sei o que seria de nós sem esse Centro em Teresina, que é, sem dúvidas, um dos melhores presentes que a cidade já ganhou”, declara a filha do Manoel, que além das terapias, também é beneficiado por serviços do Centro de Diagnóstico do local, onde realiza exames, e da Oficina Ortopédica, de onde já recebeu uma cadeira de rodas e um andador.

O Ceir foi implantado em Teresina há oito anos e tem beneficiado milhares de pessoas com deficiência da capital, já ultrapassando a marca de 872 mil atendimentos realizados, com a média de 1.830 pacientes atendidos por mês, de todo o Estado.

O local é referência nacional na reabilitação físico-motora, auditiva e intelectual e já está dando passos para a reabilitação de pessoas com deficiência visual, capacitando profissionais e adaptando a estrutura física do Centro.

Família volta a Teresina em busca do Ceir
No Ceir, a família é uma peça fundamental para a continuidade do tratamento do paciente em casa. O Centro realiza cursos e orientações contínuas para familiares e cuidadores.

Em busca desse cuidado, a família do pequeno João Monteiro, 4 anos, mudou-se de São Luís para que garoto possa realizar tratamento no Ceir. “Sou de Teresina, mas há 35 anos morava no Maranhão e não cogitava em voltar. Até que um dia meu neto foi diagnosticado com autismo e me indicaram o Ceir para o tratamento dele”, comenta Rosângela Monteiro, 61 anos.

A avó está se adaptando novamente a morar em Teresina, mas não mede esforços em sair do Monte Castelo, zona Sul da capital, onde está morando agora, para levar o neto ao Ceir. “Percebo nele uma dificuldade auditiva, então o trouxe para ser avaliado pela fonoaudióloga”, acrescenta Rosângela, ao saber que o Ceir também possui um Programa de Saúde Auditiva, que já entregou mais de 300 aparelhos auditivos desde 2015, quando iniciou o serviço.

Produtos ortopédicos são confeccionados sob medida
No Ceir está localizado um parque industrial que confecciona produtos ortopédicos essenciais para pessoas com deficiência, a exemplo de órteses, que ajudam a conter deformidades em pernas e braços; próteses, que substituem membros amputados; palmilhas e sapatos ortopédicos; entre outros; produzidos sob moldes específicos e de forma personalizada para cada paciente.

Além disso, a Oficina Ortopédica é responsável pela concessão de cadeiras de rodas manuais, motorizadas e de banho, muletas, bengalas e andadores. “Nós não só entregamos o produto para o paciente, mas também nos preocupamos em reabilitá-lo e orientá-lo para o melhor uso dele”, destaca Aderson Luz, superintendente multiprofissional do Ceir.

O local já entregou mais de 77 mil equipamentos, sendo cerca de 33 mil entregues apenas em Teresina. Aos oito anos, o Luís Felipe já recebeu quatro cadeiras de rodas, duas goteiras e um colete, fundamentais para o seu bem-estar. “Ele já recebeu alta da reabilitação físico-motora, mas ainda é acompanhado pelos profissionais do Ceir, em especial pelos da Oficina Ortopédica”, conta a mãe do garoto, Marilene Silva, 36 anos, que mora no Pedra Mole, zona Leste da capital.

Segundo Marilene, os serviços do parque industrial são indispensáveis para o filho. “Se não fosse a Oficina eu não teria condições de comprar esses equipamentos e prefiro não imaginar como estaria o meu filho”, pontua, emocionada.

Os serviços de reabilitação do Ceir, os exames e procedimentos do Centro de Diagnóstico e os equipamentos da Oficina Ortopédica são uma garantia para usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Não conseguimos mensurar a importância que o Ceir tem na vida de cada pessoa que atende. Mas sabemos que ele é fundamental e tem mais do que reabilitado pessoas com deficiência, ele tem transformado vidas”, pontua o médico Benjamim Pessoa Vale, presidente voluntário da organização social que administra o Ceir, a Associação Reabilitar.

O Centro, que é uma ação do Governo do Estado do Piauí em parceria com o Governo Federal, foi construído nos moldes da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), de São Paulo (SP), e do Centro de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo, o CRER, de Goiânia (GO).

Saiba como ter acesso ao Ceir
1º Passo – Procure a Unidade de Saúde mais próxima de sua residência e faça uma consulta com um médico do Programa de Saúde da Família ou credenciado pelo SUS. Solicite o preenchimento da guia de marcação de consultas do SUS.

2º Passo – Anexe à solicitação do médico às cópias dos seguintes documentos:

a)    CPF e RG
b)    Cartão do SUS (Cartão Nacional de Saúde)
c)    Comprovante de Residência com CEP
e)    Informe pelo menos um número de telefone para contato

3º Passo – Procure o setor de marcação de consultas online do SUS no Posto de Saúde mais próximo de sua residência, ou a Secretaria de Saúde do Município, para quem não mora na capital. Pronto, você já sai com o dia e a hora da primeira consulta no Ceir.