Fotografo: Divulgação
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“Mulheres Plurais”

Como em anos anteriores, a Defensoria Pública do Estado do Piauí evidencia, durante o mês de março, as mulheres que ajudam a construir a história das conquistas femininas em vários campos de atuação. Com essa finalidade está sendo desenvolvida a campanha Mulheres Plurais, por meio da qual será possível acompanhar  via redes sociais da Instituição,  histórias de luta, conquistas de direitos e empoderamento.

A campanha inicia com Esperança Garcia – mulher negra escravizada, considerada a primeira mulher advogada do Piauí. Vivendo na região de Oeiras, na fazenda de Algodões, a mais ou menos 300 km de Teresina, ela se destacou da sua condição de escrava por ter sido corajosa a ponto de redigir uma das mais antigas petições brasileiras, vinda em formato de carta ao então Governador do Piauí, Gonçalo Lourenço Botelho de Castro, denunciando os maus-tratos sofridos por ela, seus filhos e suas companheiras de infortúnio. A carta é datada de 06 de setembro de 1770.

Provavelmente tendo aprendido a escrever quando vivia nas fazendas administradas pelos padres jesuítas e certamente em um momento de relaxamento dos responsáveis pelo cerceamento dos seus direitos, Esperança Garcia conseguiu produzir a carta e através dela deixar registrado, mais de 100 anos antes da abolição da escravatura, seu nome na história do Piauí. No documento, ela denunciava os maus-tratos sofridos e pedia algo muito simples, fácil de resolver, queria voltar a morar na fazenda onde vivia seu marido, para que juntos pudessem criar os filhos, queria ter o direito a se confessar, queria ser vista como gente, queria respeito.

Nos dias atuais, Esperança Garcia teria o exato perfil de uma assistida pela Defensoria Pública. Pobre, negra, humilhada, sofrendo abusos e perseguições, representando claramente uma pessoa à qual foram negados todos os direitos básicos.

Sobre a campanha,  a coordenadora do Núcleo Especializado da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, defensora pública Lia Medeiros do Carmo Ivo, diz que a história das mulheres foi silenciada e apagada durante muito tempo. "Muitas de nós não conhecemos essas guerreiras que, cada uma ao seu modo, construíram nosso país, lutaram e conquistaram inúmeros direitos. Por isso a ideia de recontar essas histórias para que possamos entender a importância de celebrar o mês de março, atentando para a pluralidade das mulheres e revigorando nossas forças para permanecermos resistindo e lutando!”

“Ao desenvolver essa campanha, a Defensoria Pública mostra a força inerente a toda mulher, independente de sua condição social, que diariamente busca fazer valer seus direitos ao tempo em que vai à luta para garantir melhores condições de vida para si mesma, seus filhos e muitas vezes seus parceiros, já que são muitas as que hoje estão à frente da condução dos seus lares. Ao iniciar essa homenagem por Esperança Garcia buscamos expressar o misto de orgulho e admiração que sentimos por essa mulher a quem tanto foi negado , mas que nunca se deixou abater.  Que a cada dia,  Esperanças possam se insurgir contra qualquer forma de discriminação e preconceito, estando certas que a Defensoria Pública estará sempre pronta para prestar o apoio que precisam nessa luta por garantia de igualdade e respeito”, afirma a defensora pública geral, Francisca Hildeth Leal Evangelista Nunes.

Também como um reconhecimento pela luta e empoderamento das mulheres o Núcleo da Mulher  vai desenvolver várias atividades , entre as quais uma Roda de Diálogo com a membro fundadora do Instituto da Mulher Negra do Piauí – AYABÁS, Sônia Terra, que abordará a temática “A Mulher Negra no Piauí: trajetória e perspectivas”. A Roda será realizada a partir das 14h30, na Unidade João XXIII da Defensoria Pública, que fica localizada na Avenida João XXIII, 853, Bairro Jockey Club.  Já no dia 09 de março, das 10h às 13h, no Teresina Shopping, será feita entrega de material, exposição de banners e dar orientações gerais.