Fotografo: Ascom Uespi
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Victória Mendes, estudante do 7° período do curso de Química

As mulheres têm se envolvido cada vez mais com o campo da pesquisa na Universidade Estadual do Piauí (Uespi), com destaque dentro e fora da academia. Segundo um estudo publicado em 2017 pela Elsevier, maior editora científica do mundo, nos últimos 20 anos a proporção de mulheres que publicam artigos científicos cresceu 11% no Brasil.

Victoria Mendes, pesquisadora do curso de Química da Uespi, afirma que todas as mulheres da sua turma estão envolvidas em projetos de pesquisas, divididas no campo experimental e teórico.

“Por mais que ainda observemos as diferenças quantitativas entre meninas e meninos dentro do campo da pesquisa, acho muito importante que todas as meninas da minha sala estejam envolvidas de alguma forma. Aqui na universidade mesmo temos um estímulo forte por parte da maioria dos docentes da nossa área, a estrutura, programas que de fato nos sentimos mais inseridas”, ressalta a graduanda que pesquisa sobre a degradação de corantes que são jogados pelas indústrias têxteis nos rios.

A também estudante do curso de Química da Uespi, Rayla Magalhães, orientada pelo professor Francisco das Chagas, desenvolve uma pesquisa na área da “Química computacional & Planejamento de fármaco”.

“A inserção das mulheres no ambiente científico foi crescendo ao longo do século XX e construindo uma nova mentalidade para homens e mulheres em substituição à ‘tradição’. Nós mulheres já avançamos muito e estamos presentes em todas as áreas de pesquisa, os prêmios reforçam esta igualdade, embora ainda que poucos, mas já é um grande avanço”, destacou Rayla.

Hizadora Lima está no 3° período do curso de Engenharia Elétrica e fala que já existe um incentivo de iniciação sobre um projeto de pesquisa sobre geradores. “Na minha sala, particularmente, eu já observo que não há uma distinção de que ‘só porque eu sou mulher eu não posso fazer algo’. Todo mundo se ajuda. Tenho um grupo de três pessoas que já começou um projeto de pesquisa sobre a geração de energia por meio de fontes sustentáveis e os professores nos incentivam bastante”, relata a estudante.

Segundo a estudante do 8° período também de Engenharia Elétrica, Bruna Oliveira, houve um avanço quanto à participação das mulheres na parte prática do curso. “No início, eu ficava apenas com a parte documental, não ia para a parte prática, mas ao longo do tempo isso foi mudando. Já participei de Olimpíadas de Robótica, entre outros eventos muito importantes. Por isso a relevância em discutir essa questão da mulher dentro da pesquisa de forma igualitária”, afirmou a aluna.

Como a universidade pode ajudar na inserção das mulheres na pesquisa?

A professora Rita de Cássia, docente e coordenadora do curso de Química da Uespi, mostra alguns projetos de incentivo à mulher na área. O mais atual é uma atividade do projeto “Químicos do Brasil”, com o tema Café com elas - Mulheres na Ciência: Por que ainda somos tão poucas?”. O evento buscou homenagear e debater sobre a importância do público feminino na Ciência.

“A Uespi participou do evento com apoio material e a colaboração de professores e alunos de graduação e pós-graduação nas apresentações de experimentos, jogos didáticos e informativos sobre os temas abordados no projeto. Além disso, o evento fez um debate sobre as dificuldades e desafios das mulheres na pesquisa”, comenta Rita de Cássia.

Atualmente, na Uespi são desenvolvidos 418 pesquisas no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica e do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, dessas, 248 são desenvolvidas por mulheres. “Nós nos sentimos colaboradores, como instituição, nesse crescimento. Por mais que as dificuldades existam, é perceptível que estamos conseguindo nos reafirmar nos espaços antes dominados por homens, sempre tentamos passar às alunas o estímulo e apoio”, finaliza a professora.