Fotografo: Divulgação
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Casa Odilon Nunes

Uma renovação para valorizar o passado. A frase que pode parecer contraditória é a que melhor pode definir a nova fase da Casa Odilon Nunes, que passou pela sua maior reforma em sete anos. Localizado no município de Amarante, o espaço cultural foi reaberto ao público no fim de agosto, valorizando ainda mais a história do Piauí, contada pelos objetos existentes no local.

 

Construída no fim do século XIX, a Casa Odilon Nunes abriga parte do patrimônio histórico de Amarante e do Piauí. Além da reforma estrutural, o espaço também foi modernizado, ganhando uma nova cenografia para a sala de exposições e novo mobiliário. Um dos espaços homenageia um filho ilustre de Amarante, o poeta Da Costa e Silva (1885-1950). As pessoas podem fazer uma visita guiada por poemas, já que são várias poesias expostas em um dos cômodos.

A biblioteca também ganhou mais livros, doados por meio de uma parceria entre a Secretaria de Estado da Cultura (Secult) e a Academia Piauiense de Letras (APL), e mesas de estudo. O auditório foi climatizado e ganhou cadeiras novas. O casarão também recebeu uma copa, com fogão, geladeira, e outros itens, para atender às necessidades dos funcionários da casa.

Pisos, paredes, fachadas e teto, além de instalações elétricas e hidráulicas foram reformados. Na entrada da casa, um totem foi instalado, contendo um texto que conta um pouco a história do casarão. Foram investidos R$ 383 mil nas melhorias.

 

O casarão foi construído em 1890, pelo capitão da Guarda Nacional, Gil José Nunes, pai do historiador Odilon Nunes. Em 1930, Odilon Nunes fundou no local o Ginásio Amarantino, que funcionou também em regime de internato. Em 1985, o local foi tombado.

A guia de turismo da casa, Neusa Vilarinho, conta que conhecer o espaço é ficar sabendo um pouco da história do Piauí. “Muitas peças do século XIX foram doadas pela população e, por meio delas, contamos a história da cidade”, afirma Vilarinho.

Neusa frisa que os manuscritos do poeta Da Costa e Silva, como Zodíaco, Verônica e Sangue, tratavam de temas atuais até hoje. “Naquele tempo, ele já escrevia sobre a fauna e flora e sua preocupação com o meio ambiente e as queimadas”, lembra a guia.

A coordenadora da Casa Odilon Nunes, Claudiana Pereira, passou a administrar o local em agosto de 2017 e desde então esperava ansiosa pela reforma, principalmente do teto, que estava bastante deteriorado. “Logo que o secretário Fábio Novo tomou conhecimento da situação, ele veio conferir o estado da casa e então prometeu resolver o problema”, conta Pereira.

“É uma obra muito importante para a cidade. Por meio da nossa Lei de Incentivo Estadual à Cultura (Siec) conseguimos finalizar e entregar mais uma casa de cultura reformada. As empresas que apoiam a cultura, por meio do Siec, deduzem dos impostos repassados ao Estado o valor investido”, afirma o secretário de Estado da Cultura, Fábio Novo.

Um dos visitantes da casa, Moisés Alves da Costa, considera o espaço uma bíblia, onde o amarantino pode se encontrar com seu passado. “É enriquecedor para a gente, estávamos com medo de perder esse tesouro”, conclui Moisé.